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Minha Poesia 2016


2016


Cama de palha

Esta cama em que me deito
De colchão de espuma
Gelada até mais não 
Pois de frio se vestiu a noite
Para não me deixar dormir
Quarto de paredes geladas 
Relembro o quarto de meu avô 
Colchão de palhas remexidas
Diariamente, fofinha
Aonde me aninhava 
Em seus velhos braços 
Contando-me histórias 
Repetidas, noite após noite 
A palha seca estalava 
Quando me mexia 
Mas num instante adormecia 
Ecoando no quarto 
A voz de minha avó 
Entoando à braseira
A canção que eu adorava 
"Oh Clarinha, olha as pombas"
E a casa se mantinha quentinha
Na onda daquele calor humano
Que não voltei a sentir
E que hoje na minha cama gelada
Recordo entre lágrimas
Com saudades de quem me amava. 

Miká Penha                                                                                                  28 dezembro 2016



Derrota
Derrotada me sinto
Sem eira nem beira 
Me arrasto sofrendo 
 Dia após dia
De casa em casa
Cigana próscrita
Coração solitário
Inundado de medo
Tristeza e infelicidade 
Metas não atingidas 
Planos fracassados 
Sociedade dificil
Problemas
Não ultrapassados 
E tu onde estás 
Que esperas para me salvar....
Miká Penha                                                                              28 dezembro 2016



Um escritor escreve até fechado numa gruta, pois é sua imaginação que o leva a divagar na ponta de sua caneta.
Miká Penha



Minha alma poética

Vibro de amor, vibro de paixão
Romântica até mais não
Tudo em mim vira canção
Vem tudo do coração
Sou alma apaixonada
Cantando uma balada
Apuro com rigor
Este sentimento de amor
E em cima da minha bancada
Eu faço uma cantada
Com a poesia eu brinco
E conto até cinco
Antes de amar
Pois o amor e a poesia
Temas muito vibrantes
Que tem de ser avaliados
Bem medidos na balança
Antes de meter uma aliança
Para ser uma boa lembrança
Quem ama quer ser amado
Ninguém quer ser ajaulado
Na prisão do coração
Soam em nós melodias
Em várias categorias
A poesia está no ar
A brincar com as palavras
Quentes e melodiosas
Em alto frenesim
Lá vem o arlequim
Com sua pontaria certeira
Arrebata meu coração
E num silêncio ensurdecedor
Enquanto nossas bocas se unem
Na minha alma serena
Tudo cheira a açucena
A poesia acontece.

Miká Penha                                                                          3 dezembro 2016



Crónica...

03.00h da manhã, hora em que o sono deveria já ter chegado, mas quando hoje te vi e te dei um beijo todo o filme da minha vida vai passando na minha cabeça. 
Quero pegar no sono e não consigo, quero pegar na tua mão e dizer-te o quanto te amo e sempre amei, amanhã ou seja hoje fazes anos e só me apetece fugir. 
Não tenho vontade de realçar este dia, pois fizeste-me sofrer, e não só a mim. Perdoar??? Não sou Deus, muito menos Jesus, para ser obrigada a fazê-lo, pois não seria sentido se te o fizesse. Aí sim seria mentirosa, coisa que nunca fui. 
Meus filhos dizem que meu mal foi sempre ser boazinha demais... Lembraste quando eu, em jantares de familia, enquanto contavas traquinices das minhas irmãs te indagava porque não contavas nada de mim, e respondidas sarcasticamente "de ti? Nada tenho a contar eras boazinha demais, até enjoavas", imaginas o que eu sentia? 
Não, não imaginas, eu não perguntava por ser ciumenta muito menos invejosa, perguntava porque era uma criança que precisava de amor, carinho, afectos. 
Ia buscar o que me faltava aos livros que lia na cama à minha irmãzinha mais nova que ainda não sabia ler, ao carinho que a ela eu dava, e que também já se esqueceu de mim, às minhas primas que me consolavam quando me viam chorar, sentia mais amor nos outros que em ti. 
Será que sou tua filha? Nem sequer nasci em casa como elas, algo poderia ter acontecido. Ninguém nunca quis falar, mas tu própria me disseste tanta vez, que era filha de ciganos. 
Estou a rir-me, mas muitas lágrimas chorei por essas palavras.
Mas quero te agradecer, talvez por me teres feito pensar que sou um muro intransponível, me fizeste criar pilares fortes, ir buscar forças onde pensei nem existirem. 
O meu pilar já morreu e com ele toda a esperança da palavra "família", agora tenho a minha família que amo demais, não os sufocarei com minha presença não serei ditadora, não serei injusta, não maltratarei. 
O nosso problema é que sempre fui inteligente, lutadora nunca precisei de me encostar a ninguém, para tratar de meus filhos, nunca precisei de te bajular, tu é que sempre precisaste de mim, quando querias visitar tua filhinha amada, ainda ontem falei com esse teu ex-genro, pois ele e o meu, são quem sabem tantas histórias que nunca me esqueci. E o meu problema é que gosto de escrever e elas já estão escritas em livro, um dia o editarei. 
O tempo do relógio da vida passa a correr, um dia precisarás de mim, acredita que te receberei na minha casa de braços abertos se precisares, te protegerei e de ti tratarei. Serei apenas eu a boazinha... E o tempo passa, felizmente o tempo não volta atrás, digo felizmente porque contigo nunca soube o que é ser feliz, ainda hoje tenho as tuas cartas desprezíveis guardadas, escritas com tua mão, falavas mal de todos, cunhados, irmãos, separaste toda a família, só ficaste com as tuas filhas, estás feliz? Ainda bem porque só quero mesmo a vossa felicidade, não te agradeço teres tomado conta dos teus netos, pois paguei os olhos da cara para o fazeres. 
Podem passar por mim e fingir que não me vem, pois nada mais sinto, não me provoquem pois não sei me defender, pois sou a tal boazinha demais, mas tenho uma filha que me defenderá com unhas e dentes, e brevemente um neto que crescerá ouvindo as histórias de família que a mamã dele tão bem se lembra e fará de alguém a bruxa má, serás tu, tu ou tu, ou talvez uma delas. 
Vem quando precisares de mim se eu ainda existir neste mundo, serei quem não te faltará.
Não me interessa quem me lê, ou quem te conta, pois há muito tempo me deixei de importar pois, escrevo simplesmente o que sinto. 
Mas sabes um segredo? 
Mesmo assim continuo a amar-te, apesar de te teres esquecido que era tua filha, como vez ainda não falei da palavra pequenina com 3 letrinhas apenas, pois para mim não existe no meu coração, esse sentimento já se foi há muito tempo, agora é tarde, acordei, ou seja ainda nem adormeci.


Miká Penha                                                                              12 Novembro 2016


PARABÉNS RITINHA
Amo-te até Plutão 
Amo-te com coração 
És a minha alegria de viver 

És a minha ventura 
Abençoada foste 
Ao me dares um neto 
Sou a mãe e avó 
Mais babada
Tens sido uma
Grande mulher 
Soubeste crescer
Sem me dares desgostos 
Nunca me envergonhaste
És a minha luz 
Chegas sempre a sorrir
Iluminas qualquer casa
Tornaste-te minha ama
Como se minha mãe fosses 
Dás-me a força que preciso 
Acompanhas-me
Nos piores momentos 
Tomas conta de mim
Enalteces meu trabalho 
Enalteces meu saber
És a minha confidente
Minha amiga verdadeira 
És meu braço direito 
Sempre pronta a me apoiar 
Obrigada filha
Por não me desamparares
Mesmo quando já tens
A "Tua Família" 
E quase todos os dias me veres
Mesmo assim me telefonas 
Para ver se acordei 
Se estou bem
Se comi bem
E me dares a boa noite
Tendo eu minha casa vazia 
Com este teu carinho 
Sinto que não estou só
Não te amo só até à Lua 
Porque te amo até Plutão 
Pois me enches o coração.

Miká Penha                                                                                                                       23 out 2016


"Poesia sem tema"

Hoje apetecia-me 
Um poema fazer
Para esta ansiedade satisfazer
 Quando se está triste
Fogem as palavras da caneta
Viro ao contrário a ampulheta
E o tempo começa a passar
Da nostalgia do meu ser eu sinto
Mas a tristeza é tanta
Que nem tenho um tema
Poderia fazer um poema triste
Ou um poema nostálgico
Talvez um poema bucólico
Mas só me vem à mente
O sarcasmo, a hipocrisia
A intolerância, a desumanidade
O racismo, a xenofobia
Tantos temas e nenhum me serve
Pois minha cabeça
Só pensa na derrota
Mas esse tema não quero
Porque vocês leitores
São a minha força
Um raio de luz no meu céu
Queria meter tudo ao léu
Queria desabafar convosco
Mas posso colocar 
Reticências...
Que vocês logo percebem
Como estou e como me sinto
Começam a conhecer minha alma
Começam a conhecer minha força
Até mesmo antes de eu a sentir
Leio vossos comentários
E ali estão vocês todos
Me elogiando, 
Me estimulando a continuar
Desistir nunca foi meu lema
E não será meu tema
Prefiro poetar sem nexo
Pois escrever é um reflexo
Que já nasceu em mim
No colégio de freiras
Poesia já escrevia
E mal começava previa
Como ia acabar a poesia
Sem tema, mas com um lema
O de nunca desistir.

Miká Penha                                                                                       22 Setembro 2016



"Poeta Fingidor"
És poeta fingido
Mentes com a dentadura
Mas esse pobre coração
Quando viveste na ditadura
Viveste uma grande paixão
Que nunca esquecerás
Oh poeta fingidor
Pára de sofrer meu amigo
Vai viver um novo amor
Deixa renascer essa fagulha
Que dizes ser mentira
Pois quem lê teus poemas
Quem te conhece como eu
Sabe que ainda tens muito
Tanto amor para dar
Tanto para receber
Não deixes passar
O tempo que não tens
Não deixes de sonhar
O sonho que sonhas
Não deixes de sorrir
Com o sorriso que tens
Tu és um poeta fingidor
Mas aos amigos 
Fingir não consegues
Pois teu olhar verdadeiro
Mostra teu mais íntimo
O ser mais lindo que és
Amigo do coração.

Miká Penha                                                                                                         11 Setembro 2016


"Porco com asas"

Que se abrace o céu
Se olhe nas estrelas
E sorriam
Que se amordacem
As vozes mal faladas
E não desesperem
Que se levantem 
As pedras da calçada
Quando eu passo
Pois cada pedra
Que eu agarre
Irei construir minha casa
Pois não há pedra
Que me derrube
Nem vozes que oiça
Nem o desespero 
Desesperado
Dum moribundo
Malfadado
Não me convidem 
P'ra jantares
Se o porco tiver asas
Não me visitem
Pois sou erimita
Só não o sou 
Para quem amo
Para quem de mim goste
Não finjam o que não são
Pois eu fingida não sou
Sou quem sou 
E não me derrubam
Mesmo que morram tentando
Não se cansem demais
Pois o Inverno aí vem
E no Verão talvez ainda cá estarei
Se este bichinho deixar
Cá estarei para vos abraçar
Pois sorrio às estrelas
E amordaço minha voz
Que calarei para sempre.

Miká Penha                                                                                           4 Setembro 2016


"Teu nome Esperança"

Nasceu a luz
Nasceu a esperança
No meio do horror
Na dor e na guerra
No luto e no medo
No palco duma avenida
Onde um camião
Pisou uma centena
De inocentes
Entre gritos
Desesperados
Horrorizados
Incrédulos
Uma mãe apavorada
Olhou a morte de frente
E trouxe-te ao mundo
Quem és não interessa
Mas nasceste ali
Uma esperança nasceu
Um mundo melhor
Te desejo
Mas as loucuras
Ideológicas
Racistas
Xenofóbicas
Estão a dar cabo do mundo
Um mundo que poderia
Ser mágico
Ser perfeito
Ou não fosse gerido
Pelo homem
Criatura
Imprevisível
Uns a defendem
Outros a maltratam
E a morte
É uma constante
Assim como a vida
A nossa esperança
Num futuro melhor.

Miká Penha                                                                        16 Julho 2016


EU NÃO SOU PROFESSORA DE PORTUGUÊS

Eu não sou professora de português
muito menos professora sou, 
sei escrever o que sinto, 
com palavras que o curso me ensinou,
com a gramática aprendi
mas que a vida me fez esquecer
sou administradora de sistemas
funcionária pública à 35 anos
e acrescentando mais cinco
fica a idade com que estou 
não sei quanto mais tempo durarei
mas não me importo que emendem
meus simples textos poéticos
e não percebo também
como algumas pessoas
se importam tanto em serem emendadas
quem me dera ter sempre alguém
que me ensine pela vida
seja no Português
ou noutra disciplina
pois faz parte da vida
emendar e ser emendado
ser humilde também faz
mas muitos não o são
por isso aprendam amigos
a falar bem o português
e melhorar o vosso escrever
isto é para todos os membros 
do meu grupo de poesia
agora que estou a acabar
venham emendar o meu.

Miká Penha                                                                                   5 Julho 2016



"Submissão"

O povo é submisso 
Pelo julgo do feudo 
É julgado e ameaçado 
E não faz por isso
Vem o senhor feudal 
Do seu imponente castelo
Que a outros foi roubado
Na sua charrete de luz
De cinzento pintada
Como de prata se tratasse
De ouro vem vestido 
Mas moedas não espalha
Pois tudo é fogo de vista
Mas sabe pisar os pobres 
Que nem casa tem
Ameaçando sem demora 
Quem em seu caminho se detém 
Cruza-se com uma mulher
Digna e respeitosa
Chama-a entre o povo
E desrespeita-a em palavras
Em frente às pessoas submissas
Que de medo apavoradas
Nada fazem ou dizem
Para ajudar a pobre coitada
Que nada fez do crime
Mas que julgada está a ser
Só lhe falta ser queimada 
Na fogueira do seu castelo
Ou em praça pública 
Chamando-lhe de bruxa
Pois acusada foi ela
De o difamar com a verdade 
Mas a ela ninguém defende
Pois marido não tem
Seu pai morreu 
E aos homens do povo
Lhes falta coragem 
Para defenderem a verdade 
Da honra ameaçada
Desta pobre mulher julgada
Que só quer paz e descanso 
E numa casinha humilde
Viver abençoada 
Com seus filhos 
A pão e água alimentados
Sem castelos nem charretes
Ela tem só a coragem
De submissa não ser
E o sr feudal só quer
A todos espezinhar 
Pois seu julgo tem de ser
Nesta terra que pensa só sua 
Como de um rei se tratasse
O vencedor dos escravizados

Miká Penha                                                                                          9.6.2016


"Despi-me de Mim"

Despi-me de ti
Despi-me de mim
Despi-me de preconceitos
E assumi
Assumi a solidão
Assumi a doença
E sofri
Sofri desgastada
Sofri de dor amarga
E limpei
Limpei as lágrimas
Limpei a cara
E levantei
Levantei-me da cama
Levantei-me da areia
E segui
Segui o caminho
Segui procurando
E percorri
Percorri o areal
Percorri-o à tua procura
E não estavas
Fiquei despida
Despida de ti
Despida de mim
E morri.

2 Junho 2016                                                                                      Miká Penha


POEMA DE ANTÓNIO BELO

Dedicado a uma amiga que está com problemas de saúde do foro oncológico.
“Para ti amiga MIKÁ, esperança e coragem”

Que não chorem as palavras

Sentado na secretária ia rascunhando um poema
Um daqueles poemas simples que costumo fazer
Em palavras fáceis que assumo ser meu lema
Com que retrato o meu sentir e o meu viver.

E numa pausa aproveitei para consultar o” face”
Gosto de ver o que os amigos vão publicando
Deparei com um relato que escreveste
Sobre o triste momento porque estás passando.

Fiquei confuso por ter lido apressado
Voltei atrás para melhor entender
Passei de confuso a chocado
Com a gravidade do que te está a acontecer.

Peguei no telefone para falar contigo
Demoraste um pouco para atender
Viste por fim que se tratava de um amigo
E logo, logo te ouvi a responder.

Olá Belo, como estás?
Naquele jeito afável que costumas dizer
Mas eu atento e um tanto sagaz
Na tua voz ouvi um estremecer.

Procuraste ser forte e disfarçar
Quanto estás a sofrer com a situação
Mas há mágoas que não podes guardar
Porque do ser que és querem destruir a razão.

Confortei-te com as palavras que de momento
A minha mente libertou para te ajudar
Se foram fracas para sedar teu sofrimento
Eu prometo que vou outras inventar.

Enquanto há vida há esperança
Na tua fé pede a Deus para te ajudar
Que te traga novos tempos de bonança
Para teus sonhos poderes concretizar.

E aqui deixo escrito meu voto sincero
Que o mal se vá e possas melhorar
Que estas palavras não se tornem em desespero
Porque os meus olhos não as querem ver chorar.

António Belo-                                                                                                              01.06.2016


“Pão-de-ló com amor”

Oh! Pão-de-Ló da Ti-Piedade
Dá-me a receita
Deste teu pão-de ló 
Com odor a canela
Para meu amor
Quero fazer
Este bolo saboroso
Com sabor a chocolate
Que delícia que perdura
Dum tempo passado
Mas sempre lembrado
Unindo corações
Repartindo fatias deliciosas
Vamos dar neste bolo
Dentadinhas doces
Amornadas
Do calor do forno
Beijinhos deliciosos
Caprichados 
Entusiasmados
Pão-de-ló de ovos
Pão-de-ló de chocolate
Pão-de ló de canela
Pão-de-ló de amor
Lambosados deste doce
Caraterístico destas aldeias
Na zona oeste situadas
Vem comprar e lambozar
Os teus lábios carmim
Deste sabor sem fim.

Miká Penha                                                                  9 Maio 2016


"Noite estrelada"

És a minha estrela da noite
Que brilha sem cessar
Num enorme esplendor
Iluminando meu caminho
No meu mundo sem amor
És a minha estrela da noite
Que brilha sem amar
Num estranho ardor
Com raminho de azevinho
Espero novo amor
És a minha estrela da noite
Que brilha a cantar
Entoando louvores
Ofereces-me um canarinho
Para suavizar este amor
Nesta noite estrelada
Recordo suas juras de amor
Nas margens da Lagoa
Para sempre lembrada
Desta tua apaixonada.
Miká Penha                                                                                    9 Maio 2016


"Emulação"

Sentimento de imitação
Excedendo outra pessoa
É uma corrida desenfreada
Na minha profissão
E entre congressos, exposições
Prémios, concursos
Tudo foi uma competição
Que ganhei, ganhando
Que sofri esperando
Todas as metas atingir
Ganhar o ganha-pão
Dos meus filhos
Com qualidade
Nunca perdendo 
Somando distinções
E louvores
Subindo a escada
Que está dentro do meu eu
Não revalidei com ninguém
Não pisei ninguém
Comparo o antes com o depois
Ultrapassei-me a mim própria
E cresci para vós meus filhos
Vocês são o meu eu
Com quem mais me identifico
Vocês são o meu todo
Sem vocês nada seria.
Com todo o fôlego
Que me resta
Pois me sinto cansada.
Vocês são a minha centelha
Amo-vos.

Miká Penha em "Retrato de Mim"                                                                          26.03.2016


"Ambivalência"

Algures no meu cérebro
Procuro a palavra, positividade
Na alma carrego a dor
A carência afetiva me falta
Meu coração está pleno de amor
Eu estou vazia de paixão
Na correria da vida
Tudo se torna obsessão
Profissionalismo
Altruísmo
Autenticidade
São qualidades minhas
Que tento não as perder
Mas a ambivalência
Mora dentro de mim
Coexiste no meu eu
Opostos e contraditórios 
Como dois imanes inversos
Que não se tocam
Como o amor e ódio
Como o pólo norte e sul
Como a escuridão e a luz
Como a noite e o dia
Como o sol e a lua
Como o yin e yan
Como eu e tu.
Dentro de mim 
Também mora a saudade
Quando amava alguém
Mas agora está despertando
Um novo amor.

Miká Penha em "Retrato de Mim"                                                        26 Março 2016


"Frágil"

Frágil, 
Me sinto frágil, 
Não estou ágil,
Já nem de mim gosto,
Como posso gostar de ti?
Ou de ti ou de ti,
Não quero mais 
Amar sem ser amada
Não quero mais
Nesta vida sofrer
Não quero mais 
Nela padecer
E no fim lágrimas
Queria ser magérrima
Mas nem isso consigo
Sinto-me frágil
Sinto-me tão frágil
Pensei que finalmente
Encontrei a minha utopia
Sofro por amor
Até sofro de atopia
Sofro de solidão
Oh como me sinto frágil
E cada vez menos ágil
Para quê pensar em amor?
Não nunca mais pensarei
Tenho de esquecer
E não mais ceder
Pois mereço paz de espírito
Dito novas regras
Coração prescrito
Oh como me sinto frágil
Juro meu coração
Não mais sofrerei
Meu pobre coração
Vou-te ajudar a esquecer
Começarei por cantar
Uma canção de ninar.

20 Março 2016                                                                             Miká Penha


"A Preto e Branco"

Vi-te e nem acreditei
Que esperas desta vida
Que a preto e branco prossiga
As palavras a ti perguntei
Que querias a paz vivida
Num final sem intriga
Mas nos teus olhos desencantei
Uma lágrima envolvida
Quando passou uma rapariga
Com o namorado cumprimentei
Fiquei muito comovida

P-oeta aos meus olhos és
R-egras na vida tiveste
E-nlace com sucesso
T-odavia estás só
O-ptaste pelo bem

E-nvolves-te na população

B-rincas com as palavras
R-espondes a sorrir
A-mo-te como és
N-unca poderás adivinhar
C-omo me apaixonei
O-tempo te o dirá.

16 Março 2016                                                                                      Miká Penha


"Missa de intenção"

Uma falha no meu coração
Rezo missa de intenção
Mas a saudade não resolve
Todas as sextas rezando
Para te sentires tranquilo
Estejas onde estiveres
Sinto-me mais perto de ti
Sinto que fui a filha que te amou
Que te ama apesar do desfecho
Que a vida nos separou
Mas não esqueço o percurso
Da vida que tivemos
Serena sempre fui
Até cartas me mandavas
Quando zangado estavas
Com a vida conjugal
Hoje leio-as com atenção
Só para absorver tuas palavras
Para ver tua letra
Bailar nos meus olhos
Aquela letra inclinada
Com mestria trabalhada
Foste um orgulho de pai
Quando em pequena
Banho me davas
E suavemente secavas 
Meu cabelo negro comprido
Contando teu dia de trabalho
E à um ano atrás
No meu trabalho aparecias
Ia-mos almoçar os dois
Desabafavas as desgraças
Da serenidade que se foi
Das desavenças que sofrias
Do desgosto que te abalava
Choravas lágrimas frias
Do passado escondido
Que covardemente
Não enfrentaste
Essas cartas tudo escondem
Agora choro eu as lágrimas
Que não vou esconder
E num livro irei desabafar
De quando à Santa Casa
Me foste buscar
Para mais tarde recordar
Os meus netos e bisnetos
Do que os dois sofremos
Nesta vida sem amar.

10 Março 2016                                                                                                         Miká Penha


"Urso companheiro"

Foste-me oferecido
Há muito anos
Neste dia tão especial
Tu continuas na minha cama
Abraço-te e não te queixas
Afagas-me as lágrimas
Da saudade sofrida
Sonho com o passado
Sonho contigo
Tão velho estás
Todos os outros peluches
Foram oferecidos
Para o orfanato
Mas nunca consegui
De ti me separar
Contigo vou chorar
A nostalgia que me assola
A dor no meu peito
A saudade de ti
A saudade de mim
Meu companheiro
Meu consolador
Meu amigo
Nunca me abandonaste
Nunca me cobraste
Nunca me faltaste
Tu sim és o meu companheiro
Contigo aceito casar
Meu urso branco.

8 Março 2016                                                                                        Miká Penha


"Torrada fria"

Acordei
A manhã fria
Tomei o duche matinal
Vesti uma roupa bonita
Sorri para o espelho
Sorriso aberto e sincero
Gosto de mim
Sinto-me bem comigo mesma
Sinto-me verdadeira
Liguei a torradeira
Barrei de manteiga
A torrada quente
Que cheirinho caseiro
Sentei-me
Bateram à porta
Era meu pai
Deu-me os parabéns
Pois hoje é o dia da mulher
Deu-me um beijinho na face
Senti seu perfume
Exaltou meu coração
Como eu estava feliz
Tinha tantas saudades dele
Disse que me ama muito
Tão bom ouvir essas palavras
De repente toca o despertador
Que dor...
E as lágrimas 
Rolaram em meu rosto
E a torrada não estava fria
Porque não existia
Porque ele já não existe
Mas vive dentro do meu coração.

8 Março 2016                                                                                                    Miká Penha


"As duas margens"

Há uma ponte que nos separa
Estamos nas margens opostas
Um sente que está na solidão
Outro sente-se na nostalgia
Um vive de recordações
Outro vive de memórias
Um sente que a vida acabou
Outro que só agora começou
A ponte atravessa o rio
Vai parar à outra margem
Vai-me levar a ti
Se tu olhares para mim
É uma ponte imaginária
Que a sociedade impôs
Pois quando um parte
A vida não acaba
É uma continuação
Um estado de alma
Uma terna recordação
Dentro do nosso coração
É um sentimento de aflição
Que nos faz sentir sozinho
Mas a força se renova
Quando um olhar nos encontra
Homem mulher eterna sedução
Que une as duas margens
Que enfeitiça o espírito
Por ti estou apaixonada
Por ti enfeitiçada.

6 Março 2016                                                                                  Miká Penha


"De ti não fugirei"

De ti não fugirei nunca
Mas não é em mim que pensas
Nem que vivesses numa espelunca
Mesmo nas horas intensas
Em que sonho connosco
Que vivemos numa ilha
Com um barco muito tosco
Cheirando a baunilha
No final da tarde, no lusco fusco
Num pôr do sol fenomenal
Exaltamos nossos corpos
Na areia ainda quente
Numa visão surreal
Naquela ilha abandonada
Onde perdi as coordenadas
Deste sonho que não acaba
Humildemente no meu canto
Limpei as lágrimas do pranto
Lavei as feridas do coração
Por isso nunca de ti fugirei
Espero de braços abertos
Assim te faço esta declaração
Pois pessoalmente não conseguiria
Pois o sonho é uma quimera
E o nosso amor a Primavera
Que me acende num rastilho
A minha alma de poeta
Esta ventura de te conhecer
E não te poder responder
Mas de ti não fugirei.

4 Março 2016                                                                                                Miká Penha


"Esquecida de Mim"

Dia de São Valentim
Dia de esquecer-me de mim
De me lembrar de ti
Me lembrar de todos
Até pinto a prenda
Para alguém dar
Ao seu amor
Nesta noite especial
Mas de mim me esqueço
É um dia comercial
Ou um dia de amor
É um dia de calor
Ou um dia crucial
Laços poder estreitar
E felizes todos estar
Eu neste dia vou ficar
Nem vou sair do meu lar
Entre meus lençóis
No calor de minha cama
Todo o dia em pijama
No meu quarto passei
Umas lágrimas chorei
Vendo o temporal
Que lá fora desabava
Carapinha na janela batia
Pedindo para entrar
Mas o frio era tanto
E eu continuava a chorar
Mais um dia para esquecer
Ou para ser esquecida
Com a caneca na mão
De chocolate quente
Para me aquecer
O meu pobre coração.

15 Fev 2016                                                                                          Miká Penha


"A verdade escondida"

A verdade é que estou 
Apaixonada
Essa é que é a verdade
Mas de que serve
Se ele nem sabe
Nem sequer adivinha
Quer ser solitário
Ou pensa que quer
Habituamo-nos
Cada pessoa 
Se acostuma
A nada querer
A nada ser
A achar que já nem quer
A achar que ela não quer
Mas quero, oh se quero
Sonho com ele
Connosco
Eu e ele
E uma cabana talvez
Educaram-me à moda antiga
Por isso espero 
O primeiro passo dele
O primeiro olhar encantado
O primeiro desejo concretizado
Esperar?
Essa é a minha sina
E de tanto esperar 
A solidão me assola
Me consome
Me destrói
Vivo esperando 
Pelo que nem existe
Vivo esperando por um sorriso
Vivo esperando por um afago
Ou por um abraço
A verdade é que nem existes
Mas sempre estive 
Por ti apaixonada
A verdade escondida
Dentro de mim
É que sou uma loba solitária.

14 Fev 2016                                                                                                               Miká Penha


"No teu castelo"

Ontem entrei no teu castelo
Só à porta quis ficar
Oh como estava gelado
Seu esplendor majestoso
Estava bem patente
Muito amor no passado
Muitas antiguidades talvez 
Um sonho que se desfez
No teu triste coração 
Amarguras nas paredes
Escorrem em tinta de sangue
Mas o grande candeeiro
Com sua luz iluminando
Aquecendo a paixão 
A esperança latente 
Nas janelas abertas 
Onde o sol penetra
Alimentando as plantas 
Que nos vasos choram
Quase que me apeteceu
Àquela porta gritar
Aparece meu amor
Vem comigo namorar
Esquece as lágrimas de dor
Esquece esse entorpecimento
Vem viver o momento 
Passeamos de mãos dadas
Partilhando o saber
Com calma e serenidade 
Não quero teu castelo 
Nada quero de ti
Só o teu amor esquecido
Que te faz frio e altivo 
Mas consigo te sentir
Te amar e compreender 
Não queres de mim saber
Pois já nem queres viver.

27 Jan 2016                                                                                                                Miká Penha


"Prisão do amor"

Amar à antiga
É esse meu amor
Esperar um cavalheiro
Que seja digno de mim
Não precisa ter dinheiro
Nem cheirar a jasmim
Nem ter laço ao pescoço
Não quero minha vida
Num estado de alvoroço
Quero singeleza
E muita serenidade
Tudo com leveza
E assiduidade
Nas mãos dadas
Nos abraços e carinhos
Um mundo aos quadradinhos
Onde a nossa história 
Vai sendo feita
Onde haja vitória
Nesta vida perfeita
Estou pronta a te amar
Me tira desta prisão
Não tenho previsão
Mas vem me roubar
Vamos partilhar a casa
Conquistar o amor
A vida vai ter mais sabor
Sei que não sabes que te amo
Que te espero sem alcançar
Pois nem vais adivinhar
Que te quero meu salvador
Teu olhar doce como mel
Há muito que sinto algo
Mas este amor à antiga
Não me deixa nada te dizer
Assim espero um dia
Que sintas o mesmo amor
E abras teu coração
Para me tirares desta prisão.

16 Jan 2016                                                                                                                 Miká Penha


“Papel de Papiro”

Esta planta exótica
Linda e tão verdinha
Cortei-a razinha
E sequei-a ao sol
Seca e castanha
Coloquei-a de molho
Misturei a cola branca
Estiquei-a com o rolo 
A secar as coloquei
Em folhas amareladas
Douradas do sol
Agora sim 
Prontas estavam
Para nelas poder escrever
Com a minha velha caneta
Poemas de te encantar
Declarando meu amor
Nestas ricas páginas
Da minha arte de artesã
Reciclando o material
E sempre pensando em ti
Segundo a segundo
Minuto a minuto
O tempo vai passando
Esperando por ti
Que tenhas a coragem
De teu amor proclamar
Como eu proclamo o meu
Aqui te esperando
Dias a fio no meu retiro
Esperando que te declares
Com um ramo de rosas vermelhas
Da cor do nosso futuro amor
Poema de encantar
Meu tímido coração
Declaro só em papel
Em poemas secretos
Pois assim não vês
Que te estou esperando
Que me deixes entrar 
No teu coração.

13 Jan 2016                                                                                                    Miká Penha


"Persistência"

Sê persistente meu amor
Não desistas de viver
Olha nos meus olhos
Ganha força nesse teu ser
A luta, essa já acabou
O amor está a desabrochar
Não te deixes enganar
Quando a razão diz que findou
O coração diz que é amor
Algo em nós escapou
O medo de voltar a amar
O medo do certo ou errado
O medo da sociedade
E nós meu amor
A vida está a escapar
Vamos ter de avançar
E não deixar o amor acabar
Antes mesmo de ter começado
Persistência meu amor
Ainda vamos a tempo de amar
Acordar lado a lado
Dar as mãos ao caminhar
Enlaçados e abraçados
Neste novo caminhar
Mas a razão diz-te que não?
Então ainda não 
Queres dar teu coração?
Meu amor já te perdi
Mesmo antes de te ganhar?

13 Jan 2016                                                                                         Miká Penha


"Cegueira de amor"

Precisas de mim
Preciso de ti
Oh como és cego
Ou não queres ver
Ou não queres sentir
Ou tens medo
Do meu existir
Olhas para mim
Com olhos de homem
E me sinto mulher
Acorda e esfrega os olhos
Acorda e olha para mim
Abre teu coração
Há muito fechado
Á muito esquecido
Esquece 
O medo que te apoquenta
Esquece 
As diferenças de idades
Esquece 
A razão da vida
E olha para mim
Estou aqui a teu lado
Olhas para mim 
E não me vês
Sinto que ainda queres sentir
Sinto que ambos merecemos
Sinto-me pronta para ti
Para ser tua para sempre
Até que a morte nos separe
E quanto mais faço
Menos me vês
Continuas cego
E eu continuo te esperando
Calmamente suavizando
Meus dias com as palavras
Que me saltam da caneta
Não escrevendo teu nome
Entrando em livros
Não lidos por ti
Mas a tua cegueira
Não me faz desistir
Fico esperando por ti
Até um dia meu amor.

12 Jan 2016                                                                                             Miká Penha


"Pai Nosso"

“Pai-Nosso que estais no céu”
Assim começa esta linda oração
A única da igreja rezada na missa
A palavra “amém” não deves dizer
O porquê não deves saber
Mas vou-te tentar explicar
Mesmo sem a rezar
Pronunciar esta palavra
É dizer que é verdadeiro
O que acabaste de dizer
Nesta linda oração
Rezada com o coração
A palavra “amém” é utilizada 
Para concluir as orações
E quem a vai acabar
É o prior a orar
“Livrai-nos de todos os males, 
Ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. 
Ajudados pela vossa misericórdia, 
Sejamos sempre livres do pecado 
E protegidos de todos os perigos, 
Enquanto, vivendo a esperança, 
Aguardamos a vinda de Cristo salvador.”
E o povo responde aclamando
Em uníssono como antigamente
Mesmo não sabendo a sua origem
Desta linda ovação
“Vosso é o Reino, o poder 
e a glória para sempre!”
Assim, se reza o Pai-Nosso 
Na liturgia eucarística, 
Como uma parte dela
Que nos faz sentir
A esperança no amanhã
Assim vinde Senhor
Que recebeste meu pai
Que a teu lado está de certeza
Protege a minha família
Dai-me forças para continuar
Amém.


9 Jan 2016                                                                                    Miká Penha
(foto do meu casamento de Luis Neves)



PARABÉNS FILHO ... "TITO ALEXANDRE" 30 anos

Neste dia que fazes anos
Te desejo o melhor
Amor da minha vida
Teu olhar amendoado
Tenho saudades tuas
Estou neste povoado
Mas sinto-te a meu lado
Luz dos meus olhos
Desta vida sofrida
Que a transpusemos
Passo a passo
Com a tua maninha
Como um compasso
Num caminho certinho
Os três juntinhos
Cheios de carinhos
Pela vida fora
Percorremos a vida
Saltamos dia a dia
Cheios de alegrias
Felizmente com saúde
Estudaste o que quiseste
Vais-te formando
Pela vida fora
Com segurança
Amas e és amado
Respeitas o próximo
Trabalhas para comer
A vida te dá prazer
És uma bênção que Deus me deu

8 Jan 2016                                                                          Miká Penha

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